Formação em Doutrina Social da Igreja foca na Ecologia Integral

Formação em Doutrina Social da Igreja foca na Ecologia Integral

Representantes das ações sociais, pastorais e entidades da Rede ASA participaram da formação em Doutrina Social da Igreja, tendo como base a Encíclica Laudato Si e a Exortação Apostólica Laudate Deum. O encontro, facilitado pelo professor doutor Telmo Vieira, coordenador do Movimento Laudato Si em Santa Catarina, aconteceu na quinta-feira (29/8) no Recanto Silvestre, em Biguaçu.

Durante a formação, o Professor Telmo Vieira apresentou uma linha do tempo sobre a evolução do pensamento social da Igreja em relação à ecologia. Iniciando com a encíclica Rerum Novarum, de Leão XIII, o professor destacou as reflexões contemporâneas do Papa Francisco, especialmente na encíclica Laudato Si e na exortação apostólica Laudate Deum. Vieira ressaltou que a preocupação com questões ambientais sempre esteve presente na Igreja, mas ganhou maior urgência devido à crise climática atual.

Dados Preocupantes

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU, há uma probabilidade de 80% de que pelo menos um dos próximos cinco anos registre uma temperatura média que exceda temporariamente 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, sinalizando impactos ambientais mais extremos e irreversíveis.

Em resposta a essas preocupações, o Papa Francisco, atento à questão ambiental e incentivado por cientistas e ambientalistas de dentro e fora da Igreja, escreveu em 2015 a encíclica ecumênica Laudato Si (Louvado Seja). Nela, Francisco reafirma que há um “consenso científico muito consistente” de que as mudanças climáticas estão ocorrendo, e que a atividade humana é o principal motor do aquecimento global (LS 23). Ele descreve as mudanças climáticas como “um dos principais desafios para a humanidade” (LS 25).

“Não estamos mais diante de uma situação de fatalismo. Vivemos um momento crítico em que tanto nossa sociedade quanto o planeta estão doentes. Somos a última geração que pode salvá-lo”, enfatizou Telmo, recordando o compromisso de sermos “guardiões da Casa Comum”, conforme o mandamento divino em Gênesis 1, 28.

Reflexões e Depoimentos dos Participantes

A formação proporcionou momentos de reflexão profunda entre os participantes. Salete Luciano, coordenadora arquidiocesana da Pastoral da Criança, considerou o encontro “uma experiência enriquecedora, destacando a importância de criar uma consciência ambiental e modificar nossas atitudes. O professor ofereceu um dia de reflexão e aprendizado. Saímos de lá enriquecidos e conscientes de que podemos mudar nossas realidades se agirmos pelo bem comum.”

Fernanda Ecco, da Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, expressou sua preocupação: “Nosso planeta está doente e nós somos os culpados, com nossa ambição e soberba. Este impacto deixou em mim e em todos, uma preocupação com o futuro próximo. Precisamos mudar isso e é pra já.”

Debates em Grupo

A formação também promoveu discussões em grupo com questionamentos como:

  1. Quais são os principais desafios socioambientais enfrentados pela humanidade?
  2. Quais os principais desafios enfrentados pela nossa comunidade?
  3. Nós temos sido indiferentes diante da degradação da criação de Deus?
  4. Como nosso estilo de vida colabora para agravar os impactos gerados em nossa terra?

Os grupos compartilharam suas respostas e concluíram que ainda há necessidade de maior conscientização sobre a problemática ambiental e como isso já nos atinge, citando exemplos como os deslizamentos de terra em Santa Catarina e a tragédia climática no Rio Grande do Sul, em maio. A discussão reforçou a urgência de integrar práticas sustentáveis nas comunidades e a preparação para as pré-COP 30 (Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas), que ocorrerão ao longo de 2025 em todas as dioceses de Santa Catarina. Como propostas concretas, foram sugeridos:

  • Envolvimento das ações sociais e pastorais com a Defesa Civil;
  • Aproximação com órgãos públicos para discutir questões do território;
  • Sensibilização de lideranças para atuação em gestão de riscos e desastres;
  • Aproximação das diretrizes da Cáritas Brasileira a partir do MAGRE;
  • Organização de ações comunitárias que busquem soluções locais;
  • Articulação com o CPC para implementar medidas nas paróquias.

Este encontro marcou a segunda etapa da Formação em DSI promovida pela ASA no ano de 2024.

As fotos do Encontro você pode acessar em nosso álbum no Flickr.