Cozinhas Solidárias e a promoção da segurança alimentar e nutricional

Cozinhas Solidárias e a promoção da segurança alimentar e nutricional

Historicamente, as comunidades periféricas sempre estiveram mais sujeitas às condições de riscos sociais do que a sociedade em geral. A população pobre sempre foi a mais exposta às vulnerabilidades, aumentando os níveis de doenças, insegurança alimentar, moradias precárias entre outras. Basta um rápido passeio por qualquer comunidade de periferia de nossas cidades, para perceber claramente as mazelas da desigualdade geradas pela omissão e ineficácia do Estado.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) 12,3% da população de Florianópolis vive em deserto alimentar, ou seja, em territórios com pouca ou nenhuma oferta de produtos saudáveis, mas com grande disponibilidade de produtos ultraprocessados, como os salgadinhos, macarrão instantâneo, frituras, etc. Os desertos alimentares estão diretamente ligados à vulnerabilidade social, já que a população de baixa renda é a maior consumidora de produtos ultraprocessados, que contém baixo valor nutricional, mas que por terem baixo custo acabam sendo os mais acessíveis para a população empobrecida.  A insegurança alimentar nasce desses territórios e precisam ser combatidas com a oferta de alimentação nutritiva e de qualidade.

Desde 2020 o combate à insegurança alimentar e nutricional vem sendo um dos principais focos de atuação do Centro de Integração Social Santa Dulce dos Pobres (CIS), na comunidade Vila Aparecida, situada na região continental de Florianópolis. Quatro vezes por semana a Cozinha Solidária Dona Hilda e a Cozinha Solidária do Ribeirão da Ilha preparam alimentos saudáveis para serem entregues às famílias da comunidade e para as pessoas que vivem em situação de rua. Nas marmitas contém arroz, feijão, salada e uma proteína (carne bovina, frango, peixe ou ovo), em média são montadas 600 marmitas semanais, totalizando 2.400 ao mês. Os alimentos são oriundos de doações de benfeitores, do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do Governo Federal e da Ação Social Arquidiocesana (ASA) entidade gestora, que faz o aporte financeiro na complementação dos alimentos e de utensílios. As cozinhas solidárias são tecnologias sociais fundamentais no combate à fome, e o CIS executa essa política pública importante que acontece na Vila Aparecida, contribuindo com a qualidade alimentar dos sujeitos na prevenção da obesidade e desnutrição.

A distribuição de alimentos não é a finalidade, mas a porta de entrada para outros benefícios oferecidos pelo CIS Santa Dulce. A partir do cadastro socioeconômico, que está em processo de atualização, a pessoa pode acessar o brechó solidário da instituição, participar dos cursos profissionalizantes e se engajar no trabalho voluntário, afinal, o CIS é da comunidade e é dinamizado pela comunidade. Todas as pessoas são chamadas a estarem conosco nessa rede de solidariedade, seja como voluntários ou como benfeitores financeiros, para que assim, a obra permaneça e continue sendo sinal de vida plena. O CIS Santa Dulce é a expressão da solidariedade que brota do chão dos que mais sofrem, dos que estão à margem dos direitos sociais e das pautas governamentais, porém são eles, os prediletos de Jesus: “Bem aventurados vós os pobres, porque vosso é o Reino de Deus”( Lc 6,20).