A importância das Ações Sociais Paroquiais nos espaços de Controle Social

A importância das Ações Sociais Paroquiais nos espaços de Controle Social

A atuação da Igreja na sociedade é vital para formulação, monitoramento e avaliação da Assistência Social e, contribui significativamente para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. A presença das Ações Sociais Paroquiais nos espaços de diálogo com o poder público como conselhos, fóruns, conferências e reuniões da rede socioassistencial é um passo fundamental para concretizar a missão da Igreja na sociedade. Essa participação ativa fortalece o controle social, um princípio fundamental da democracia participativa. O controle social acontece justamente quando organizações da sociedade civil, incluindo as pastorais sociais, instituições religiosas e grupos comunitários, interagem com o poder público contribuindo com propostas, avaliando e monitorando as políticas públicas, sugerindo melhorias, denunciando falhas, trazendo escuta das demandas locais e colaborando com ações complementares às políticas públicas.

 Participar dos espaços públicos não significa fazer política partidária, mas sim assumir a responsabilidade social e evangélica de transformar a realidade. A caridade, quando se une à justiça, se torna força de transformação social. O Papa Francisco nos lembra disso com clareza:

“Convido mais uma vez a valorizar a política que é uma sublime vocação, e uma das formas mais preciosas de caridade, porque busca o bem comum.”
(Fratelli Tutti, n. 180)

Além disso, ao ocuparem esses espaços, as ações sociais das paróquias se tornam pontes entre a população e os serviços públicos. Ao conhecerem melhor o funcionamento das políticas públicas, as pastorais e agentes de pastoral tornam-se multiplicadores, sabem orientar quais são os direitos da população, como acessar e a quem recorrer em caso de violação desses direitos. Assim, orientam e encaminham as pessoas, fortalecendo a cidadania e a dignidade.

Essa presença ativa qualifica o trabalho social da Igreja e o trabalho da Assistência Social no município. Contribui para a humanização dos serviços públicos e assegura que as políticas públicas sejam construídas com a participação de quem está no dia a dia das comunidades mais vulneráveis, nas periferias, sejam elas geográficas ou existenciais.

Quando a Igreja ocupa esses espaços, ela vive o Evangelho na prática e ajuda a construir políticas públicas mais humanas e eficazes. Sendo assim, é urgente e necessário que as ações sociais paroquiais se integrem de forma orgânica aos espaços institucionais da política pública. Isso não só fortalece as redes de proteção social, como também testemunha a fé cristã encarnada na realidade, que não se omite diante da dor, mas se compromete com a transformação.

“Uma fé autêntica – que nunca é cômoda nem individualista – implica sempre um profundo desejo de mudar o mundo.”
(Evangelii Gaudium, n. 183)

Os princípios ético‑políticos do SUAS reafirmam o papel legítimo das igrejas organizadas como parceiras indispensáveis para a construção, gestão e avaliação da assistência social pública.